Minha mente se condensa e cai, como chuva. Nessa febre de luar, ardendo nas narinas o gélido mais sedutor de uma noite de inverno, eu busco você. Na minha mente, no ato do meu ser, eu desejo você. Desejo me perder nos labios que eu apenas vi, desejo tocar, arder, me perder no seu suor, me encontrar no seu desejo. Sem hora pra acabar, quero apenas calar seus olhos que ansiaram por me ver. Quero entrar contigo num caminho sem volta, num metrô apenas com o ticket da ida, quero virar estátua de sal se olhar pra traz. Quero enchergar esse desejo como a mais pura manifestação do amor. Quero que o mundo acabe em apenas três ondas, quero me afogar no acaso de encontrar um dia, quem tão distante esteve a me procurar. Vou, sedento de saudade dos nossos corpos se encontrando, saudade do que nunca senti. Quero mostrar meus beijos aos seus lábios e ensinar sua língua a tocar a minha. Vou te levar às obras do acaso, vou te mostrar que comigo está completo, vou me lembrar que nós, tudo o que mais quero agora, é plano de Deus. Eu quero me perder, eu quero me perder em você. A noita acabará com um raio de sol na janela quase fechada. Se o "quase" houvesse nos tomado. Você levantará, fechará a janela, a cortina, deitará lentamente, me procurará por entre os cobertores, me abraçará, ainda que eu esteja desnudo, acordarei calmo, tocarei sua mão, sentirei seu coração bater rente aos meus pulmões, verei teus olhos brilhando por mim, seu sussurar aliviado por ainda estar comigo, você vai me cheirar, como um gato, faltando ronronar, me beijará levemente e então... eu dormirei em paz (sem me decepcionar mais).
(To you, my other half, T-Richmond)