quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Amo cada pedaço teu.



Dentre as diversas formas de amar eu descobri você. E entre as colinas verdejantes que caminhei encontrei você. Entre o pôr e o nascer-do-sol eu estive com você, “contando casos, besteiras, tanta coisa em comum”. Nossa trilha sonora tocava no peito, os ouvidos ouviam mesmo quando o silêncio pairava, o coração sentia mesmo quando a saudade tomava. As mãos suadas, o toque, o beijo, o sabor, tudo agora faz falta. Um vento inconsequente te levou. Eu chamo de “vento” ainda que todos ao meu redor chamem de “insegurança”, “mau entendido” e alguns até chamaram de “burrice”. Eu preferi chamar de “vento”. Dói menos. E dor tem sido meu sobrenome. O travesseiro tem tentado te substituir nas noites de chuva, quando penso ouvir tua voz, quando lembro dos teus defeitos, quando vejo que a causa trouxe um efeito que não passa de angústia. As noites de verão não são mais as mesmas, eu não seguro mais tua mão pra caminhar, não reclamo mais das tuas mentiras e nem tenho tuas verdades para acreditar. Não te vejo mecher no cabelo e nem te peço pra parar. E quando chegar o inverno? Quem acordará no meio da noite pra me cobrir? Quem me sufocará com tantos abraços pela madrugada? Quem me amará quando o nariz escorrer, quando ao invéz de uma noite picante eu precisar de um chá e analgésicos? Quando penso em todas essas perguntas, a resposta que vem à minha mente é: Você. Será que perdi de vez? Será possível que aconteça outra vez? Não sei. Ainda o que erro tenha sido meu, amo cada pedaço teu.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Me dê um tempo.

Eu quero um tempo pra falar do desnecessário pros desavisados, tornar adornos de pescoço coisas que não são oferecidas em leilões. Um tempo. Salvar um tempo de cair na desgraça, nos devaneios do mundo pósmoderno, nas garras de uma tal Sociedade aí. E a pátria? Quem a salvará do New York Lifestyle? Quem a libertára do sanguinário América? Quem resgatará o Samba do fundo do posso? Quem abrirá as gaiolas pras aves em estinção? Eu quero salvar. Sou filho de um salvador e foi promessa toda essa corajem, todo esse mecanismo de revolução. Foi presente toda essa mente liberta com a ajuda de uma fumaça mágica. E agora, como filhos mal criados matamos presentes? Sufocamos belas prendas em capitalismo. Me dê asas por alguns instantes, quero mostrar como me sinto quando essa fumaça louca me traz à memória quem sou. E como diria o poeta: "Eles abrem as pernas pra quem eles fecham o vidro do carro". E eu me envergonho. Me envergonho de ter voltado para os seios dessa nação, me envergonho de ter tido saudades disso aqui. Lembro-me da alegria de viver longe, de ser tão livre. Não era nada demais, era apenas uma gaiola maior. Hoje sou livre.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Um drama pra chamar de meu.

E eu fiquei à um passo do meu destino, como dizia, incapaz de fazer valer um minuto daquela noite pra nós. Incapaz de te olhar por traz das lentes escuras, incapaz de te tocar, incapaz. Então eu sorri, sorri porque seus olhares eram demais pra mim, sorri porque não tive a intenção de nada, mas já ouviu falar em instinto masculino? Ele gritou naquela hora! Com gritos de torcida de futebol. Daqueles urros que dizem "vai que é tua". Eu não sei, só lembro de ter sentido seu toque. E o leão, o mesmo que ouviu os urros viris da torcida virou um gatinho, faltando ronronar e lamber. Mais uma vez eu sorri, na verdade eu não me lembro de um dia ter presenteado alguém com tantos sorrisos. Você se aproximou, eu fiquei parado, eu queria ir em frente mas você era tão delicado e lindo que eu travei. Eu senti seu cheiro, cada vez mais forte e sedutor e eu não resisti, leões e gatos brigavam dentro de mim, homem e menino se afrontaram e eu senti seus lábios, sua língua tocando a minha, seu corpo, foi um sonho jamais sonhado, muito além daquilo que um dia imaginei. Eu tive medo de chegar outra vez, eu quis abraçar, eu não me lembro quando foi a última vez que senti tesão e cuidado de uma vez só então eu segui seu rítimo, eu dancei a sua música, eu me perdi nos teus caminhos. Depois disso eu pude sonhar. Pude sonhar com nossa presença em noites virando dia, pude sonhar com teu cheiro, com todas as vezes que me fez rir, com toda a compatibilidade possível entre nós, entre os nossos signos, nossos números da sorte, nossos gostos musicais, alguns ideais. Eu precisei só de alguns minutos pra me viciar. Agora eu preciso de dias, anos, vidas. Eu preciso beijar de novo a tua mão e te mostrar o quão feliz você pode ser comigo, eu preciso fazer desse "drama" um romance com final feliz. Nosso filme terá películas de várias cores, um banco de praça, uma noite de verão, um poste de luz, uma árvore com muitos pêssegos pra eu sentir sua pele em meus lábios, um vazio quase que existencial, uma história de causar sussurros na platéia. Então eu serei seu fiel e leal amigo, o seu corpo bem presente, a sua voz no silêncio. Serei seu travesseiro numa cama pequena, seu abraço nas frustrações e sua brisa nas decepções. Serei eu, será você, seremos nós, acompanhados por um belo cinzeiro, boas histórias e infinitos abraços. Quero teu colo.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Como amante.

Minha mente se condensa e cai, como chuva. Nessa febre de luar, ardendo nas narinas o gélido mais sedutor de uma noite de inverno, eu busco você. Na minha mente, no ato do meu ser, eu desejo você. Desejo me perder nos labios que eu apenas vi, desejo tocar, arder, me perder no seu suor, me encontrar no seu desejo. Sem hora pra acabar, quero apenas calar seus olhos que ansiaram por me ver. Quero entrar contigo num caminho sem volta, num metrô apenas com o ticket da ida, quero virar estátua de sal se olhar pra traz. Quero enchergar esse desejo como a mais pura manifestação do amor. Quero que o mundo acabe em apenas três ondas, quero me afogar no acaso de encontrar um dia, quem tão distante esteve a me procurar. Vou, sedento de saudade dos nossos corpos se encontrando, saudade do que nunca senti. Quero mostrar meus beijos aos seus lábios e ensinar sua língua a tocar a minha. Vou te levar às obras do acaso, vou te mostrar que comigo está completo, vou me lembrar que nós, tudo o que mais quero agora, é plano de Deus. Eu quero me perder, eu quero me perder em você. A noita acabará com um raio de sol na janela quase fechada. Se o "quase" houvesse nos tomado. Você levantará, fechará a janela, a cortina, deitará lentamente, me procurará por entre os cobertores, me abraçará, ainda que eu esteja desnudo, acordarei calmo, tocarei sua mão, sentirei seu coração bater rente aos meus pulmões, verei teus olhos brilhando por mim, seu sussurar aliviado por ainda estar comigo, você vai me cheirar, como um gato, faltando ronronar, me beijará levemente e então... eu dormirei em paz (sem me decepcionar mais).
                      
                                                                                                (To you, my other half, T-Richmond )

domingo, 18 de setembro de 2011

Aos gatos urbanos.

Belo é o dia quando adormece. As ruas parecem negras de presença e repletas de alegria. Alegria daqueles, que como nós, preferem a luz dos postes à luz do sol. Àqueles que caminham e não se envergonham, a rua pertence à eles. O pouco som e ainda assim a necessidade de gritos é o que os atrai. Aos gatos que saldam o pôr-do-sol como "o nascer-da-lua" e se deliciam com o breve e suave brilho das estrelas. Àqueles que caminham sobre a imensidão do asfalto gélido, sentem o hálito do escuro infinito, que não se acanham ao proferir baixo calão, que lançam-se nas sarjetas como se elas fossem o sofá da própria casa. E não são? As avenidas pouco se movimentam e a presença noturna de alguns vale milhões diante do caminhar diário de muitos. Àqueles que junto dos colegas e amigos pulam de bar em bar, de boate em boate, de noite em noite, como os gatos que pulam de telhado em telhado. E tudo acaba antes que o sol se exponha. A noite pertence à eles, as ruas são deles e enquanto a sociedade acorda, eles se preparam para um belo dia de sono. A rua é nóiz!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Do interno pro externo.

Ah, como eu gosto de ser blogueiro! Ser blogueiro vai além de ter um e postar em um blog, é uma necessidade misteriosa de compartilhar um pouquinho de você. O blog funciona como a sua casa, onde as pessoas que visitam vivem e experimentam você por alguns instantes. Aí você se preocupa com a melhor decoração para seus visitantes, com a comodidade, com o conforto. Como se dar da melhor maneira para que entrem em você e experimentem um pouco do melhor de você, e muitas vezes experimentem o melhor do "pior" de você. São esses valores meio antigos e muito bonitos que alguns, como eu, gostam de preservar por simples opção.

(Texto inspirado em Talita Vesch)

sábado, 25 de junho de 2011

Hipocrisia em nome da arte.

É incrível, com o passar do tempo o homem ganha mais respeito, mais dinheiro, mais "dignidade" e se torna muito mais hipócrita. No meio profissinal concorrido em que estava (o da beleza) acabei me dando conta de que o homem perdeu a noção de quanto custa o dinheiro. É caviar no cabelo, ouro na cara e loucas pagando lucros de 300% para donos de SPAs e salões de beleza se esbaldarem e rirem da cara das coitadas que acreditam que problemas psicológicos podem ser resolvidos com um pouco mais de beleza. Isso também acontece em grandes exposições de arte onde milhares de hipócritas fingem entender os rabiscos e a "expressão" de um mercado tão bem remunerado enquanto as intervenções artísticas dos nossos grafiteiros apodrecem junto com a cidade que servia de palco para a arte. É mais fácil ser branco, rabiscar, dizer que é arte contemporânea e esperar ser muito bem pago por isso. A arte como veículo de expressão? Pra quê? O dinheiro fala mais alto. Ah, eu não posso me esquecer da tribo "blasé", que pagam a vida para assistir da primeira fila modelos magérrimas com cada vez menos roupa e mais dinheiro, cada vez mais hipocresia e menos cérebro. "Oh, querido estilista, uma alça diferente? Uma renda autêntica? Sim, claro, alguns milhões de dólares por isso". Talvez essa magreza toda seja luto em prol das milhares de crianças que morrem de fome no mundo, ou até mesmo dos pais brasileiros que choram por não ter dinheiro suficiente pra um iogurte pros filhos. Sabe o que mais me incomoda nisso tudo? Ver manadas de filhos da puta dizendo "esse é o valor da nossa arte", milhões em bolsas e sapatos "é o valor da arte"? Como um veículo de expressão tão genuíno, puro e útil como a arte pode ser pago em dólares? Como esses "artistas" podem prostituir algo tão importante, que causa tanto impacto como a arte? Com que direito eles convertem algo tão puro e benéfico à sociedade em manipulação? Então, pra que serve a arte? Prefiro não falar da música...